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30 de janeiro de 2025

30 de janeiro reforça a importância do trabalho conjunto pelo fim das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN)

Desde 2021, o dia 30 de janeiro tem sido uma data de grande relevância em que se reforça o trabalho pelo enfrentamento a uma série de doenças com forte determinação social em que questões como a pobreza, falta de saneamento básico, condições precárias de moradia, saúde e educação persistem como desafios. Chamadas de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN), este grupo é composto por  mais de 20 condições que afetam mais de 1 bilhão  de pessoas ao redor do mundo, inclusive com destaque à América Latina.

No Dia Mundial pelo Enfrentamento das DTN, para 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) traz como mote para este 30 de janeiro o lema “Unir. Agir. Eliminar”, fortalecendo a visão de que a união de esforços e de ações intersetoriais pode ser capaz de contribuir no avanço para controle dessas doenças.

É com esse olhar que o projeto IntegraChagas Brasil foi concebido e atua. Trata-se de projeto de pesquisa estratégico demandado e financiado pelo Ministério da Saúde, que tem como objetivo ampliar o acesso à detecção e tratamento da doença de Chagas crônica na Atenção Primária à Saúde, sob coordenação do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O IntegraChagas Brasil tem como foco a união de esforços entre profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores(as), gestores(as) e comunidade em prol do controle da doença de Chagas. 

O projeto traz também como marca a participação social das pessoas acometidas, buscando mais do que chamar a atenção para uma DTN, na realidade, dar visibilidade às pessoas acometidas, que são vulnerabilizadas socialmente.

Doença de Chagas

Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi) e comumente conhecida pela sua forma de transmissão vetorial, provocada pelo inseto barbeiro, a doença de Chagas foi descoberta e descrita pelo médico sanitarista Carlos Chagas há 116 anos. No entanto, ainda assola territórios vulneráveis no Brasil e no mundo, atingindo 1,9 a 4,6 milhões de pessoas no Brasil e 6 a 7 milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo na América Latina.

“Falar em doença de Chagas é falar nas pessoas acometidas que ainda não sabem do diagnóstico, que não realizaram o tratamento adequado e estão sujeitas a diversas complicações devido a essa condição de invisibilidade. Pensar na doença de Chagas é pensar em estratégias eficazes que aproximem as pessoas de melhores condições de vida, tirando-as da condição de vulnerabilidade, oportunizando o diagnóstico e o tratamento existente”, afirma o professor Alberto Novaes, membro da coordenação-geral do projeto IntegraChagas Brasil e docente do Departamento de Saúde Comunitária e do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFC.

Ao todo, mais de 2.000 profissionais de saúde já foram capacitados nos cinco municípios de atuação do projeto. Em 2024, mais de 20 mil testes rápidos de triagem para a doença de Chagas foram feitos. A partir do acesso ao teste rápido de triagem para a doença de Chagas, desenvolvido pela Fiocruz e disponibilizado em todas as unidades de saúde de cinco municípios brasileiros onde o projeto atua – Espinosa (MG), Porteirinha (MG), Iguaracy (PE), São Desidério (BA) e São Luís de Montes Belos (GO) – o IntegraChagas Brasil soma forças para que pessoas acometidas tenham maior acesso a diagnóstico, possam ser incluídas na linha de cuidado e a elas seja oportunizado o tratamento, por meio do cuidado integral.

O dia 30 de janeiro

Neste ano de 2025, o projeto desenvolveu dois materiais de comunicação e educação em saúde com o intuito de promover a visibilidade da doença de Chagas e oportunizar às pessoas envolvidas no IntegraChagas Brasil que falem por si do trabalho realizado até então. O lançamento está previsto para o dia 05 de fevereiro.

Os dois materiais – alusivos ao 30 de janeiro – são um caderno de atividades pedagógicas a ser trabalhado com crianças do ensino fundamental de escolas dos cinco municípios envolvidos no projeto. A ideia é suprir a carência de materiais didáticos sobre doença de Chagas no Brasil e promover a educação em saúde nas escolas. Além disso, também será lançado um álbum falado, cujo conteúdo traz depoimentos de quase 30 pessoas que têm ou tiveram envolvimento direto com as ações do projeto desde 2023. 

“Nosso objetivo é, primeiro, mostrar que a doença de Chagas ainda existe, que é necessário falar sobre ela; segundo, construir uma rede de esforços conjuntos de profissionais, gestore(as)s e comunidade em prol do controle dessa doença, oportunizando a cada vez mais pessoas o diagnóstico e o tratamento”, reforça Alberto Novaes.