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5 de fevereiro de 2025

Ministério da saúde lança boletim epidemiológico especial sobre Doenças Tropicais Negligenciadas em crianças

Qual o impacto das Doenças Tropicais Negligenciadas na morbimortalidade de crianças brasileiras? Esse é o mote do mais novo Boletim Epidemiológico lançado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Federal do Ceará e a Universidade Federal da Bahia, no final de janeiro.  

O documento é inédito e conta com a colaboração de pesquisadores vinculados ao projeto IntegraChagas Brasil. A publicação traz um panorama nacional sobre a morbimortalidade de crianças de 0 e 11 anos de idade por Doenças Tropicais Negligenciadas, popularmente conhecidas como DTN.  

Para isso, foram analisados dados de 2010 a 2023, considerando 12 doenças: acidente ofídico; doença de Chagas; Esquistossomose, Leishmaniose Visceral e Tegumentar; Oncocercose, Raiva Humana, Filariose Linfática, Hanseníase, Tracoma, Dengue e Chikungunya.

Sobre os resultados 

Segundo os dados compilados, foram detectados mais de 14 milhões de casos em toda a população brasileira. Desse total, 11,5% (1.644.521) em crianças de 0 a 11 anos. De acordo com o estudo, em média, foram 117 mil casos em crianças anualmente durante os 13 anos analisados.  

As maiores taxas de detecção foram verificadas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Norte, com destaque para os estados do Acre, Goiás e Tocantins, em municípios de médio e grande porte populacional. A maioria dos casos ocorreu em crianças de 7 a 11 anos de idade e negras, mas com taxas significativas em crianças indígenas. Os dados, no entanto, variam conforme a região e o período analisado. 

Conforme o Boletim, crianças em situação de vulnerabilidade social sofrem mais impactos. Por isso, os autores defendem que a integração da infância em agendas estratégicas para controle de DTN pode contribuir para a eliminação da pobreza no Brasil e para a melhoria da qualidade de vida das crianças brasileiras.