23 de fevereiro de 2026
1500 casos de Chagas levam Assembleia Legislativa de Minas e Secretarias de Saúde a articular ações de combate
Nesta segunda-feira, 23, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza uma audiência pública em Espinosa, no Norte de Minas, com um objetivo central de avaliar a eficácia das ações de enfrentamento à doença de Chagas em uma das regiões mais afetadas do estado.
Para debater o cenário atual e as perspectivas de controle da doença, a audiência contará com a presença de importantes nomes da saúde pública e gestores municipais e estaduais: Francisco Lima, superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Dhyeime Marques, superintendente regional de Saúde de Montes Claros, Nilson Sepúlveda, prefeito de Espinosa, e Alberto Novaes, coordenador do Projeto IntegraChagas Brasil.

Este é o segundo encontro promovido para monitorar a endemia após a implementação de projetos como o Integra Chagas Brasil e o Cuida Chagas, criados para diagnosticar e tratar a doença. Porteirinha e Espinosa foram as únicas escolhidas para receber ações do IntegraChagas Brasil por seus altos índices de infecção, recebendo testes rápidos para diagnóstico precoce e tratamento adequado, testando quase 20 mil pessoas, 350 ações educativas e preventivas, e processos formativos que instruíram mais de 1400 profissionais.
Ações necessárias
A doença de Chagas atinge desproporcionalmente a população mais pobre, negra, rural e com baixa escolaridade, contexto que contribui para o histórico negligenciamento do problema. O presidente da Comissão de Saúde, deputado Arlen Santiago (Avante), que requisitou ambas as audiências, já havia manifestado sua preocupação ao final do primeiro encontro, em outubro de 2025: “Não é possível essa doença continuar vencendo, depois de 120 anos de sua descoberta”. Na ocasião, ele também anunciou que solicitaria à Secretaria de Estado de Saúde ações de apoio específicas para os municípios mais impactados.
Dados do projeto IntegraChagas Brasil demonstram a gravidade da situação. Em Espinosa, que possui 30.400 habitantes, com cerca de 35% de população rural, foram realizados 10 mil testes, que confirmaram quase 800 casos da doença. Em Porteirinha, também no norte de Minas, mais de 9 mil testes resultaram em 751 diagnósticos positivos. “São 4,6 milhões de pessoas com Chagas no Brasil, e o Norte de Minas é a região com a taxa da doença mais severa, maior que a do Brasil”, alertou Eliana Amorim de Souza, Coordenadora do Integra Chagas Brasil.
Agenda Intermunicipal
Na expectativa de articular ações em várias frentes e com mais de uma gestão municipal, montou-se uma agenda de reuniões em Espinosa e em Porteirinha, municípios que receberam ações do IntegraChagas Brasil, para articular propostas plausíveis à execução em cada território.
23/02 às 10h em Espinosa
Comissão de Saúde – 2ª Reunião Extraordinária – Audiência Pública
23/02 às 14h em Espinosa
Reunião com Secretaria de Saúde de Espinosa, Fundação Ezequiel Dias (FUNED), Coordenações da Atenção Primária à Saúde e da Vigilância Epidemiológica, Lideranças sociais, Coordenação IntegraChagas Brasil
24/02 às 15h em Porteirinha
Reunião com Secretaria de Saúde de Porteirinha, Coordenações da Atenção Primária à Saúde e da Vigilância Epidemiológica, Lideranças sociais, Coordenação IntegraChagas Brasil
25/02 às 14h em Montes Claros
Reunião com Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, a Coordenação da Vigilância em Saúde – SRS Montes Claros, Coordenação da Atenção Primária à Saúde, Coordenação IntegraChagas Brasil
Fotos: Luiz Santana / ALMG